Não descansar: um pecado contra boa saúde.

Continuando a série sobre os Sete Pecados Capitas contra a boa saúde, discutiremos hoje sobre a importância de descansar diante da exigência por alta produtividade no trabalho.


Vivemos em sociedade que valoriza muito a produtividade. Somos treinados desde pequenos para apresentarmos sempre um bom rendimento. Na infância a pressão começa no rendimento escolar. Os pais esperam que os filhos sejam compenetrados e dedicados aos estudos, considerando mais as notas que outros aspectos do crescimento. Desejam que o filho seja o melhor da sala (ainda que nem sempre externalizem isto).


Neste sentido, muitas vezes os pais cobram menos/ prestam menos atenção ao amadurecimento emocional do filho do que no desempenho na aquisição de conhecimento formal. Muitas vezes os pais sobrecarregam as crianças com várias tarefas extraescolares (aulas de música, computação, línguas estrangeiras etc.) na expectativa que se tornem adultos capazes de altos desempenhos profissionais. Apesar de uma mudança de paradigma (ainda incipiente) o pensamento prevalente é o do maior desempenho formal possível. Um exemplo peculiar disto aconteceu em Brasília DF onde uma escola (privada) de ensino fundamental propagandeava que prepararia as crianças para os concursos públicos desde cedo. Acho simbólico pois nota-se que não se considera as aptidões naturais das pessoas, desconsidera-se suas inclinações em nome de uma “profissão importante”.

Isso gera incontáveis problemas, mas vamos considerar a “melhor” das hipóteses: a criança introjeta a mensagem e depois a executa (num desejo muitas vezes inconsciente de obter a aprovação dos genitores). Esta criança crescerá bastante obstinada com seu desempenho acadêmico e profissional, será muito dedicada e por vezes muito competitiva, vai tentar superar a si mesma e aos colegas o tempo todo empenhando toda energia possível nesta tarefa. Será, portanto, adaptada ao mercado de trabalho afinal é isso que se espera de um empresário, de um médico, de um engenheiro etc.

Mas onde está o problema nisto tudo?

Está no exagero o problema. Não há nada errado sobre os pais desejarem que o filho seja bom na escola e que seja dedicado ao trabalho, mas é preciso ponderação. A questão é que precisamos de descanso. Se não houver equilíbrio entre dedicação ao desempenho (trabalho e estudo) e momentos de relaxamento, haverá acúmulo de estressores o que certamente levará ao desenvolvimento de patologias. Ninguém parece prestar muita atenção nisto. Ninguém fala muito disto na escola. Somos programados para um rendimento sempre crescente, mas nenhum ser humano vai funcionar como uma máquina, e olha que até elas estressam e quebram.


Mas essa dedicação ao trabalho adoece a pessoa de que forma?

Os trabalhadores cujas atividades dependem de alto grau de responsabilidade, agilidade de decisão dentre outras habilidades que exijam resultados satisfatórios estão cada vez mais renunciando ao lazer e ao descanso que o corpo e a mente necessitam para se restabelecerem. Nesse contexto, o estresse ocupacional pode ser entendido como um conjunto de perturbações psicológicas ou sofrimento psíquico associado às experiências de trabalho. Este quadro, inicialmente mental, pode se transformar em variados sintomas físicos como dores musculares, alterações gastrintestinais, aumento da pressão arterial dentre outros, que podem fazer parte de uma série muito variada de doenças.

Então trabalhar demais adoece?

Com certeza sim. A falta de lazer e de descanso também são fontes de problemas de saúde. Nunca é insuficiente voltar a afirmar que isso passa por mudanças de hábitos, reavaliações de prioridades e finalmente de escolhas a serem feitas. Ficar exageradamente focado no trabalho ou nos estudos e subtrair toda forma de diversão de sua vida pode ser muito prejudicial. Por isso, se pensamos em qualidade de vida e saúde, é altamente importante separar um tempo na sua rotina de vida para atividades relaxantes e descanso.

O que devemos fazer então?

Criar muitas normas quando se fala em descanso pode parecer um contrassenso, afinal a vida já é repleta de tantas regras, não é?! O fato é que precisamos aprender a descansar; se não é possível fazermos isso dentro do ambiente de trabalho, que seja quando estivermos fora dele. A única regra que faz sentido aqui é fazer algo que traga diversão e relaxamento. O mais indicado é escolher algo que o distraia de uma forma que você se sinta leve, desconectado. Rever os amigos, ir a uma festa, levar os filhos ao parque, frequentar cinemas e teatros, curtir alguns hobbies. Estas coisas ajudam muito mas fica uma dica: não adianta fazer algo relacionado ao trabalho. Se você é policial, por exemplo, ler um romance ou ver um filme sobre crimes não será exatamente uma boa escolha! Outra coisa, cair na bebida com a desculpa de dizer que é para descanso não vale ok?!


Essa conversa sobre descasar não vai ter crédito algum no mercado de trabalho vai?

Até os anos noventa acho que não muito, mas a mentalidade tem mudado aos poucos. Imagine que, em momentos de estafa mental, a empresa onde você trabalha te fornecerá lugar para jogar uma sinuca com os colegas, para tirar um cochilo e para completar, te fornecerá cozinhas com comida livre. Essa tem sido a filosofia da Google, a gigante do mercado de serviços online e software. O índice de satisfação com o trabalho entre seus funcionários é altíssimo, e como não seria? Quem não iria querer trabalhar num lugar assim? Sei que essa realidade parece muito distante para a maioria de nós, mas esta nova postura influencia todo o mercado de trabalho e cria uma nova tendência que valoriza o descanso.

Mas isso rompe com a lógica da produtividade e altos rendimentos?

Não. A ideia parece contraditória, mas não é. As empresas entenderam que para manter a produtividade em um nível elevado precisariam minimizar os estressores laborais. Lentamente estão percebendo que valorizar o descanso e o relaxamento é essencial para manter o funcionário em seu rendimento máximo. Finalmente começaram a considerar a saúde mental dentro da lógica de mercado. Humanos não são robôs afinal de contas. Dar um tempo, parar, relaxar, rir um pouquinho…tudo isto é necessário para manter nossa mente em ordem, controlar o nível de estresse e por fim, para manter nossa produtividade. Então, as grandes empresas entenderam que descansar seus funcionários pode ser um ótimo negócio!!!


Descansar pode me fazer mais inteligente?

Sim, ao menos em alguns aspectos. Já ouviu falar em ócio criativo? O termo ócio criativo diz respeito à relação harmoniosa entre o trabalho, o conhecimento e o lazer. O ócio criativo se refere ao aumento da criatividade e produtividade proveniente de uma mente descansada.


Fica a dica: precisamos aprender a descansar! Pense nisto!


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