Personalidade Paranoide

Esse tipo de personalidade pertence a um grupo diferente dos demais descritos em postagens anteriores. Em poucas palavras, esse indivíduo é aquele que sempre suspeita de todo mundo, está sempre desconfiado achando que estão armando algo contra ele.


É importante aqui fazer uma distinção com esquizofrenia paranoide que é um diagnóstico diferente. Grosso modo, as esquizofrenias representam uma quebra, uma mudança radical no comportamento das pessoas. A origem da palavra esquizofrenia traz essa ideia de ruptura; foi cunhada pelo psiquiatra suíço E.Bleuler, a partir de SKHIZEIN, “partir, separar”, mais PHRENOS, aqui com a acepção de “mente”. Portanto na esquizofrenia a pessoa tem um funcionamento normal e no meio do caminho há uma cisão que muda bastante o comportamento. No caso da personalidade paranoide não há uma quebra, a pessoa tem um padrão fixo bem ao estilo “desde sempre”. Ademais, a esquizofrenia é muito mais invasiva e sintomática do que transtornos de personalidade. Dito isso, vamos entender como funciona a pessoa paranoide.

Pacientes com transtorno de personalidade paranoide suspeitam, quase o tempo todo, que os outros estejam planejando prejudicá-los. Eles acreditam que serão atacados a qualquer momento sem nenhuma razão lógica. Embora existam poucas (ou nenhuma) evidências, eles insistem em manter suas suspeitas. Muitas vezes, eles acham que os outros os prejudicaram de modo significativo e irreversível, dando um ar mais dramático do que se esperaria. Eles são hipervigilantes -parecem ter um radar sempre ligado- procurando possíveis sinais de insultos, ofensas, deslealdade e procuram significados ocultos em observações e ações. Eles examinam atentamente nos outros rastros de evidências para dar suporte às suas suspeitas. Por exemplo, eles podem interpretar mal uma oferta de ajuda como uma implicação de que eles são incapazes de fazer a tarefa por conta própria. Se eles acham que foram insultados ou prejudicados de alguma forma, eles não perdoam a pessoa que os prejudicou. Eles tendem a contra-atacar ou ficam irritados em resposta a essas ofensas percebidas. Como eles desconfiam dos outros, eles sentem uma necessidade de serem autônomos e estar no controle.

São pessoas muito rígidas e confiantes de suas crenças e hesitam em criar laços de intimidade. Geralmente desconfiam da lealdade dos amigos e da fidelidade do parceiro(a). Assim, pode ser difícil conviver com pacientes que têm transtorno de personalidade paranoide. Quando os outros respondem negativamente a eles, eles tomam essas respostas como confirmação de suas suspeitas iniciais.

Cabem aqui duas observações:

1-O pensamento de desconfiança é parte normal da mente humana, mas existem limites para o que se considera normal.

2-O pensamento paranoide pode contaminar uma sociedade inteira, fazendo com que as massas disseminem a desconfiança (sem nexo) criando comportamentos raivosos...isso é particularmente notório nas redes sociais.

Resumo das características da persona paranoide:

1-Suspeitar sem fundamentos (acham que estão sendo enganados e explorados).

2-Sempre preocupado com fidelidade e lealdade.

3-Não confiam em ninguém. Está sempre com o radar ligado.

4-Guarda rancor facilmente.

5-Perceber ataques a sua honra (mas ninguém concorda que houve ataque) e responder com muita intensidade.

6-Interpretar sinais ocultos em mensagens e situações banais. Amam uma teoria da conspiração.

7-Ter ciúmes desmedidos pois sempre desconfia que foi enganado.

8-Desconfiar profundamente de qualquer pessoa que discorda de sua opinião, ainda que o assunto seja irrelevante.

9-Inflexibilidade exagerada, nunca reconhecem seus exageros.

10-São sempre as vítimas, pois é uma posição mais confortável para eles.


Toda esta estrutura não passa de mecanismos de defesa do ego que se desenvolvem de maneira disfuncional. Uma manifestação desta manobra defensiva é que sempre se enxergam como vítimas do mundo. Essa visão o alivia da tensão interna criado pelo medo de não ser uma pessoa boa. Seu mundo é povoado por pessoas nada confiáveis e imprevisíveis e por isso estes pacientes são sempre tensos e ansiosos. Por estarem sempre questionando sobre possíveis ataques, as pessoas se aborrecem com isso, e quando dizem que estão chateadas, o paranoide entende aquilo como confirmação de suas suspeitas. Quando eles pensam que a suspeita foi finalmente confirmada, seu papel de vítima é assegurado, causando nele um certo conforto e alívio. Essa fixação no papel de vítima revela uma autoestima muito baixa e por isso sentem-se muito ameaçados por pessoas com autoridade sobre eles, então vivenciam aversões das chefias.

Esse paciente é particularmente desafiador pois ele não percebe que é ele mesmo quem cria as situações das quais se diz vítima. Dificilmente procuram ajuda profissional por conta própria, acabam sendo levados a contragosto por familiares ao consultório. Ele verá o terapeuta como uma provável ameaça e levará um tempo para relaxar. Mas quando a terapia engrena, eles começam a perceber e a modificar comportamentos. Tem como melhorar sim!


Se este texto te deixou irritado, procure ler mais sobre o assunto e considere marcar uma consulta com profissional da saúde mental.



(Embasado em Glen O. Gabbard)

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