Procrastinar: um pecado contra sua saúde.

Atualizado: 5 de Ago de 2019

Encerramos hoje a lista dos Sete Pecados Capitais Contra a Saúde. A ideia é fazer um paralelo com os Sete Pecados Capitas da Igreja Católica. O objetivo é elencar hábitos que são vistos como “normais” pela maioria das pessoas, ou hábitos que são socialmente aceitáveis, mas que representam um risco para a saúde. Iniciamos com o uso de duas substâncias que estão obviamente relacionados a problemas de saúde. Assim, tabagismo e etilismo encabeçam a lista. Em seguida vieram hábitos que muitas vezes não recebem a devida atenção que são os hábitos inadequados em relação ao sono e em relação ao sedentarismo. Também não poderia ficar de fora desta lista os hábitos alimentares que são da mais absoluta importância quando falamos de saúde. E no final falamos sobre a importância do descanso e sobre o hábito/vício de trabalho. Para terminar a lista, falaremos agora de um hábito que pode ser bastante prejudicial para a saúde; a base que faz a manutenção de tantos problemas, a procrastinação!

O significado da palavra pode ser assim explicado: adiar; deixar alguma coisa para depois, transferir a realização de alguma coisa para um outro momento; prorrogar para outro dia. Os sinônimos possíveis são: adiar, protelar, postergar, delongar, prorrogar, espaçar, retardar, diferir, pospor, prolongar, protrair.

Mas qual a relação desta palavra com questões de saúde?

Procrastinar pode ser um hábito muito deletério. Pessoas que sempre estão deixando tudo para depois deixam de cuidar da saúde pois pensam que podem fazer isso noutro momento. Deixam de fazer exames de rotina por exemplo, deixando de tomar as providências necessárias em tempo hábil para uma solução eficiente. Um exemplo claro: adiar a dieta. Todo mundo diz que dieta começa na segunda-feira para justificar comer de tudo no fim de semana. Postergam a iniciativa de estabelecer hábitos novos e mais saudáveis.

E qual a consequência disto para a saúde?

Podemos dividir as consequências em diretas e indiretas. As diretamente relacionadas à saúde se refere ao aspecto orgânico da saúde. Exemplificando: uma pessoa fica adiando sua consulta com o endocrinologista mesmo sabendo que possivelmente tem diabetes. Ela fica prorrogando talvez por medo do diagnóstico ou talvez pelo hábito de sempre deixar para depois as ações que precisa tomar. Independente das causas, delongar para ter o diagnóstico e a conduta correta a coloca em risco visto que o diabetes provoca lentas lesões no organismo que vão se somando no tempo. Se a pessoa retardar demais o tratamento, já terá de enfrentar as sequelas da doença como problemas renais e oculares. Se a pessoa tivesse procurado o médico logo, certamente o tratamento seria mais simples e eficiente.

As consequências indiretas ocorrem quando se percebe o prejuízo da procrastinação. Para a pessoa que vive adiando tudo, isso resulta em stress e sensação de culpa. A pessoa logo vai notar a perda de produtividade e sentirá vergonha em relação aos outros por não cumprir com as suas responsabilidades e compromissos. Geralmente ficará frustrada consigo mesma ao notar que esse hábito de retardar as decisões gerou mais complicações e dificuldades.

Procrastinar é sintoma de doença da cabeça?

Pode ser, o que significa que nem sempre é. Embora a procrastinação seja considerada “normal”, torna-se um problema quando impede o funcionamento esperado para aquele indivíduo. Para definir se é ou não patológico é necessário avaliar a extensão dos efeitos, ou seja, é preciso definir a intensidade da procrastinação. Muitas vezes ela é apenas um hábito, um vício de comportamento que está circunscrito a determinados contextos. Por exemplo a procrastinação se refere a atividade física (a pessoa sempre enrola para não começar uma rotina de exercícios físicos) mas a pessoa consegue se desenrolar em outros campos da vida. Essa procrastinação é vista como normal, apesar de ter suas consequências também.

A procrastinação muito disseminada na vida do indivíduo pode ser um sinal de problemas psiquiátrico sim. Por exemplo, durante episódios de depressão pode acontecer de a pessoa ter muita dificuldade para tomar decisões ou atitudes, ela tende a adiar tudo para depois e sente que não tem energia para fazer o que precisa ser feito. Nesta situação a pessoa vive um momento distinto de seu funcionamento habitual, ou seja, era proativa antes e depois se torna um procrastinador. Mas existem condições ligadas à personalidade e que, portanto, são um processo de vida. A procrastinação desta natureza tem suas raízes psicológicas. O procrastinador geralmente tende a sofrer como ansiedade, baixa autoestima e pode revelar uma mentalidade autodestrutiva. Pensa-se que procrastinadores têm um nível de consciência abaixo do normal, mais baseado em "sonhos e desejos" de perfeição ou realização, em vez de apreciação realista de suas obrigações e potenciais.

Quando procrastinar não é doença?

Basicamente quando não é intensa, quando não invade várias dimensões funcionais do sujeito. Neste caso ela se manifesta somente em alguns pontos, o que não quer dizer que seja inofensiva. Essa procrastinação tida como normal é antes de tudo um hábito (ou um modo de ser), que comumente ocorre em nossa sociedade. Todo mundo conhece aquele ditado que diz que brasileiro sempre deixa tudo para última hora, não é?! Este hábito, ou cultura, precisa ser combatido. Pessoas mais desenroladas, que tomam as providências com antecedência, enfrentam menos estressores e são mais eficientes.


Como identificar uma procrastinação do tipo modo de ser (não é doença)?

Existem dois perfis básicos de características:

A) a pessoa relaxada

B) a pessoa nervosa

No tipo relaxado os indivíduos percebem as responsabilidades de um modo negativo. Eles fogem das obrigações direcionando sua energia para outras tarefas. É comum, por exemplo, para uma criança procrastinadora do tipo relaxado, abandonar a sua lição de casa, mas não seu videogame. Esse tipo de procrastinação é uma forma de negação. O procrastinador evita situações que causariam desprazer, e, em vez delas, participa de situações mais prazerosas. É uma espécie de fuga da realidade pois na verdade ninguém vive só pelo prazer; todos nós temos que fazer coisas não prazerosas simplesmente porque são necessárias. Isso é a vida!

No tipo nervoso a pessoa se sente dominada pela pressão. Se apavoram diante de prazos e se sentem inseguras quanto aos seus objetivos. Sentindo que lhes falta a habilidade ou foco para completar seus trabalhos, eles dizem a si mesmos que precisam "desestressar", e que é melhor "ir com calma e resolver tudo depois", por exemplo. Este adiamento é geralmente temporário e inefetivo, e leva a até mais stress conforme o tempo vai se esgotando, prazos se aproximam e a pessoa se sente cada vez mais culpada e apreensiva. Esse comportamento vira um ciclo de fracasso e atraso. Isto também traz um efeito debilitante em sua vida pessoal e suas relações. Procrastinadores tensos-nervosos geralmente recolhem-se da vida social, evitando contato até mesmo com amigos próximos.

Identificada a procrastinação, o que deve ser feito?

O primeiro passo é definir se a procrastinação é do tipo doença ou se é do tipo modo de ser. Sendo doença a pessoa precisa buscar por uma avaliação médica especializada pois pode ser necessário o uso de medicações. Se for do tipo modo de ser, um choque de realidade pode ajudar. Geralmente a psicoterapia é bem efetiva pois confronta o paciente com estes mecanismos de defesa do ego pouco ajustados, aumentando a consciência a respeito da realidade e fornecendo novos modos de defesa emocionais.

Inevitavelmente é preciso força de vontade para superar hábitos arraigados. Não adianta dourar a pílula, será sempre um pouco desconfortável. Contudo, os lucros com as mudanças são bem vantajosos, ainda que demorem um pouco para serem percebidos. Se temos que fazer uma coisa, a façamos sem ficar criando deliberações e desculpas para nós mesmos.




Pense menos, vai lá, faça e pronto! É preciso combater a inércia e a “preguiça mental” para se tornar uma pessoa mais proativa. Existem estudos que apontam a prática da Atenção Plena (Mindfulness) como um meio de se livrar do hábito de procrastinar exatamente por aumentar o foco no que deve ser feito e podar os pensamentos paralelos que dissipam nossa energia. As mudanças que você deseja não cairão do céu no seu colo; não adianta fantasiar. Está na hora de agir!!!

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