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Uma facada, Bolsonaro e o transtorno delirante

A facada na barriga do então candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro levanta uma questão sobre a psiquiatria: o agressor tem uma doença mental. É o que afirma a decisão judicial sobre Adélio Bispo de Oliveira, que foi embasada em laudos periciais de médicos da defesa e da acusação. Isso tona Adélio inimputável, ou seja, não pode responder por si judicialmente. O acusado provavelmente será levado para um manicômio Judicial.

Muitas pessoas reagiram com incredulidade pois o réu não parecia louco e seu discurso tinha alguma coerência (opiniões políticas à parte). Mas o que diz o laudo pericial de Adélio? Ele recebeu o diagnóstico de Transtorno Delirante Persistente.

Essa doença, apesar de parecer, não é esquizofrenia. O transtorno delirante persistente difere da esquizofrenia pois seu funcionamento global não está acentuadamente prejudicado. Isso se deve principalmente ao fato de seus delírios serem (quase sempre) não bizarros. Explicando: estes delírios envolvem situações que podem ocorrer na vida real, como por exemplo acreditar ser alvo de críticas no trabalho ou ser traído por seu cônjuge. O fato é que as pessoas que tem o transtorno delirante, geralmente possuem uma aparente normalidade, quando seus delírios não são postos à prova. Logo, o seu comportamento não é visivelmente esquisito como acontece (de forma geral) na esquizofrenia.

Apesar da aparente “quase normalidade”, o transtorno delirante deforma o juízo crítico de realidade e o indivíduo perde a capacidade de discernimento dos fatos e começa a agir dentro do delírio.

Os delírios possuem 3 elementos básicos:

a) irredutibilidade: não adiante explicar, demostrar ou tentar provar pela lógica que tal pensamento está errado; o sujeito seguirá irredutível em sua crença. b) difusão: a crença delirante tende a se difundir por toda a consciência, tornando-se o centro gravitacional da vida do indivíduo. c) ausência de insight: falta de consciência da perturbação, ou seja, o sujeito é incapaz de perceber a própria doença. Estas condições fazem com que a pessoa se comporte conforme o roteiro ditado pelo delírio, sendo incapaz de avaliar a real consequência de seus atos, e é por isso que a justiça os considera inimputáveis.

Toda esta triste situação nos chama para uma importante reflexão sobre o comportamento de muitos de nós durante esta última campanha eleitoral para presidente. Estas eleições foram marcadas por incontáveis atritos nas redes sócias, os ânimos estavam exaltados e houve brigas e divisões dentro das famílias. O clima de rivalidade fervilhou e contaminou muitas pessoas. Toda essa intensidade (independente de que lado se estava) causou estresse emocional e muita ansiedade. Se isto provoca alterações em pessoas saudáveis imagine o quão catastrófico pode ser para uma mente previamente afetada pela doença mental. Desta história devem ficar as reflexões e não o medo. Desta história devem ficar aprendizagens e não a psicofobia. Quanto ao Adélio, devemos pensar nele com compaixão e não com raiva.

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