Personalidade Dependente

Este tipo de personalidade é menos famoso que os anteriores (Narcisismo, Psicopatia etc.) mas com certeza você não vai achar a descrição tão estranha e você entenderá as razões disto.


Na verdade, todos nós somos dependentes de alguém de algum modo. Tem gente que adora contar vantagem dizendo que não depende de ninguém mais isso é mais narcisismo do que verdade. Nascemos absolutamente indefesos e dependemos totalmente dos cuidados de adultos para começo de conversa. Depois no processo de aprendizagem dependemos dos outros em diferentes níveis e assim por diante. A palavra independência tem um ar mais altivo que dependência, que carrega um ar mais pejorativo, não é? Isso acontece pois somos educados para valorizar a independência absoluta, ainda que isso exista apenas no mundo das ideias.

O sentido do termo na linguagem do psiquismo se refere a outro nível de dependência, que á mais subjetiva, mas quem nem por isso deixa de fora qualquer ser humano. Todos nós necessitamos (em graus variáveis) de aprovação do outro, de empatia, de admiração, de validação de nossos atos para sustentar a autoestima. Sabe aquele ditado que diz que nenhum homem é uma ilha? Pois é exatamente por aí que caminha a interpretação da dependência (ou interdependência) real. Lembrem-se ainda que nós somos animais sociais, somos animais de bandos (igual a formigas, abelhas, macacos), faz parte da nossa natureza depender das relações com os semelhantes.


A dependência emocional por um outro ser humano pode, contudo, ser intensa o suficiente para ser patológica. Já vimos algo assim quando falamos sobre os borderlines. A diferença aqui está no tipo de reação que manifestam diante da sensação de abandono. Os borderlaines se enfurecem e ou tentam manipular, já os dependentes se deprimem, se diminuem e se submetem a situações degradantes para manter o vínculo, e isso faz com os seus relacionamentos sejam menos instáveis que os dos borderlines.

As características básicas do transtorno de personalidade dependente podem ser resumidas assim:

1-Dificuldade para tomar decisões sozinhos. Eles buscam por conselhos insistentemente numa expectativa quase inconsciente de que outra pessoa decida por ele.

2-Necessidade que outros assumam responsabilidades em seu lugar.

3-Dificuldade para expressar opinião divergente. O medo de desagradar e perder a “admiração” do outro é tão intensa que ele se sente compelido a concordar sempre.

4-Dificuldade de iniciar projetos próprios. Não por falta de entusiasmo e energia, mas por falta de autoconfiança.

5- Se submete a coisas desagradáveis para agradar ou outros, ainda que perceba que está desagradando a si mesmo.

6-Não conseguem ficar sozinhos por muito tempo pois pensam que são incapazes de cuidar de si mesmos. Pessoas assim aceitam namorar qualquer pessoa apenas para não ficar solteiro. Ou seguem casados quando está evidente que a relação está adoecida.

7-Preocupações exageradas sobre abandono, real ou imaginário. Se sentem desamparados com muita facilidade e não rompem com este padrão de pensamento.

Muitos especialistas afirmam que a origem deste transtorno inicia na infância, em famílias muito autoritárias e controladoras, associado a um “vínculo inseguro”. Isso quer dizer que os pais não apoiavam ou reprimiam atitudes que demostrassem independência. Possivelmente os pais não demostraram gostar das conquistas dos filhos e isso os tornou inseguros, pois introjetaram a ideia de que são incapazes de agradar os genitores. Esses pacientes possuem autoestima baixa, não conseguem ver seus potenciais e se tornam eternos sedentos destes sinais de aprovação e validação dos outros.

Por vezes estes pacientes se submetem a tanta degradação, humilhação e exploração que terminam deprimidos. Por serem os famosos “bonzinhos” acabam atraindo pessoas parasitas, aproveitadores e pessoas de caráter duvidoso, das quais os dependentes têm dificuldade em se desvencilhar. A depressão e autoestima podem ficar tão prejudicadas que um tratamento medicamentoso pode ser necessário. O tratamento psicoterapêutico pode ser absolutamente transformador para estes pacientes. Talvez a palavra adequada seja LIBERTADOR; a terapia bem-feita liberta estes pacientes dos grilhões da dependência afetiva.

Se este assunto te incomodou, procure agendar uma visita com um profissional da saúde mental.

(Embasado em Glen O. Gabbard)

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